" PORQUE eu sou um gato de rua, dos mais vagabundos, revirando os lixos, fuçando nos cantos, me enfiando nos piores becos em busca de um dono. Mas gato não têm dono. Gatos têm servos, escravos cegos e devotos, sempre pronto para mimá-los ou não tem nada. AUT EGO AUT NIHIL. Então eu continuo, nenhum amor nessa lata, nem nesta outra, talvez na próxima esquina, na próxima casa, na próxima festa, talvez naquele bar, talvez naquela estrada. Depois do farol, depois do pedágio e já nem sei mais voltar para onde estava. Depois daquele morro, depois do rio e do mar, depois dos pampas, dando a volta ao mundo de volta ao mesmo lugar. O mesmo beco. A mesma cara, sombrancelha de gato levantada e costas eretas, cuidando perfeitamente do meu nariz. Sobrevivendo. Mas sempre com saudade daquela casa, daquela cama quentinha,daqueles dias tão sagrados. Pobres e livres, não é assim que os gatos são? E temos 7 vidas, não temos? Antônio, meu amor, você levou a primeira. O primeiro a me matar. Mas amor não morre, ele disse que amor vira raiva ou rima. Eu que morri, morri de amor. Morri de ingênua, o lençol branco cobrindo meu corpo, ainda mais branco, nenhuma lágrima, tanta dor que ninguém sente mais nada. Morta pela primeira vez.Ainda bem que nós, gatos, temos 7 vidas". Clarah Averbuck
domingo, 21 de setembro de 2008
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Um comentário:
"O primeiro beijo, seja isso bem claro, nao o dao os labios mas os olhos ."
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