sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Eu não quero mais jogar


Terça-feira achei que ia morrer. Sentei na beira da minha sanidade e fiquei balançando as pernas, olhando lá para baixo. Eu não tenho nenhum medo de altura. Nenhum mesmo, mas meu corpo estava teso e duro, como eu nunca tinha visto antes, e eu tremia enquanto algo me triturava por dentro, dilacerando tudo, tão devagar que eu parecia sentir cada centímetro destruído. Hemorragia. Muita, muita dor. Eu não tenho medo de dor. Nenhum. Mas meus olhos se recusavam a abrir e minha voz estava débil, fraca, quase apagando, moribunda, enquanto eu flutuava de olhos vendados. Algo apertava minha garganta tentando me impedir de respirar. Tentando me sufocar. Muita, muita dor. Foi quando pensei: é agora. Agora eu vou, agora eu pulo. Agora eu vou e deixo tudo pra trás. Agora. E na hora que eu ia pular, plim. Levantei, quase que em um salto, abri bem meus olhos, passei a mão no rosto e sentei para escrever. Doeu, doeu muito, queimou. Não chorei, não muito. Mas doeu. Só que eu não parei. Algum dia preciso ir até o fim. Então eu fui. Quando acabei a dor foi embora. Todo o peso foi embora. Meus ombros endireitaram-se e eu consegui respirar fundo e olhar em volta e entender onde eu estava.

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